As adaptações mecânicas feitas
nos caminhões que passam pela BR-364, entre Rondônia e Acre, estão sendo feitas
pelo próprios motoristas e, explica o mecânico Bernardo Ribeiro, há mais de 20
anos no ramo, são necessárias para não fundir motor. As modificações são feitas
porque a rodovia federal foi atiginda em quatro pontos pela cheia histórica do
Rio Madeira, que, nesta quinta-feira (27) atinge a marca de 18,60, sendo que
uma lâmina de 75 centímetros cobre pontos da via. O nível do Rio Madeira já
ultrapassou o registro de 1997, de 17,52 metros, quando ocorreu a maior cheia
do Madeira e já retirou mais de 2,3 mil famílias de casa.
Como esta é a única via de
acesso terrestre ao Acre, um controle dos policiais rodoviários federais
permite que apenas 20 caminhões, por hora, sejam liberados para a travessia
sobre as águas do Rio Madeira. Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), esta
é a única alternativa para que o tráfego não seja totalmente interrompido,
deixando os acreanos isolados. Na quarta-feira (26), a lâmina d’água sobre o asfalto
estava em 80 centímetros desde a última segunda.
Para fazer a travessia, apenas
caminhões com filtro de ar mais alto, em torno de um metro, diz Bernardo, têm
condições de passar sem precisar fazer alterações. “Esse purificador é o nariz
do motor. Nele tem um filtro de ar que não pode ser molhado. Se ele sugar água,
ela vai para o pistão e o funde o motor. Aí o problema é muito maior”, explica
o mecânico. Segundo ele, o próprio motorista, com uma chave de fenda, retira a
mangueira e prende na parte superior evitando que molhe o filtro e parando a
sucção na parte de baixo. Mas, o mecânico alerta que “é somente para a
travessia, porque se demorar muito tempo, o motor também pode fundir”, diz.
Bernardo contou ao G1 que
nesta quinta-feira um caminhão que veio de Rio Branco precisou parar em sua
oficina para trocar o filtro. Segundo ele, o motorista disse que quando lembrou
de fazer a adaptação, o filtro já havia molhado. “Mesmo molhado ele ainda fez o
certo e teve que trocar apenas o filtro que é de papel. Se ele continuasse sem
interromper a sucção o motor ficaria com problema”, diz.
Em relação ao escapamento, o
mecânico diz que não tem problema molhar, pois o serviço dele é expelir e não
sugar. “Se molhar a descarga não acontece nada ao veículo. O que o motorista
precisa ficar atento é a altura do filtro de ar e da turbina. Se os dois forem
da mesma altura, não adianta nada desligar a mangueira, porque a turbina vai
sugar e estragar o motor”, afirma.
Cheia do Madeira
Nesta quinta-feira (27), o
prefeito Mauro Nazif decretou estado de calamidade pública em Porto Velho em
razão da cheia história do Rio Madeira. Pelo menos 2,3 mil famílias, o que
representa cerca de 10 mil pessoas, estão fora de suas casas, na capital e em
14 distritos atingidos pelas águas, de acordo com o coordenador da Defesa Civil
Municipal, coronel José Pimentel. A cota aferida pelo Corpo de Bombeiros no fim
da manhã alcançou 18,60 metros – um aumento de cerca 8 centímetros a cada 24
horas, em média, nos últimos 10 dias.
Fonte: blogdocaminhoneiro.com/


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