A dinâmica do mercado de soja,
por um lado, e a obrigatoriedade de agendamento de caminhões, por outro,
levaram os produtores de Mato Grosso do Sul a incluir na rota de exportação do
grão o Porto de Rio Grande. “Isso é algo novo no Estado. Historicamente, os
embarques da nossa soja são realizados nos portos de Santos e Paranaguá”,
lembra o operador da Corretora Granos, Carlos Ronaldo Dávalos.
A busca de nova opção de
escoamento da oleaginosa se relaciona, conforme Dávalos, a adoção do governo de
agendamento como tentativa de reduzir o problema de filas de caminhões nos
portos.
O porto gaúcho é mais distante
que o paulista e o paraense. Segundo o corretor, saindo de Dourados, a
distância a Santos é de 1,2 mil quilômetros, a Paranaguá, de 1,1 mil quilômetros
e ao Porto do Rio Grande, de 1,5 mil quilômetros. “Apesar disso, o custo com o
frete é equivalente”, compara. Essa conta tem pesado na decisão de produtores
de enviar a soja para o mercado internacional a partir do porto gaúcho.
O Estado já tem quase toda a soja
colhida de uma produção próxima de 6 milhões de toneladas. Esses grãos têm
compradores externos assegurados, o que torna a soja um produto de alta
liquidez. O efeito colateral desse quadro de caminhões é o “congestionamento de
embarques” – em 2013, houve formação de grandes filas de caminhões nos portos
de Santos e Paranaguá. Na tentativa de reduzir o problema, o governo federal
adotou a obrigatoriedade do agendamento – só podem entrar nos portos caminhões
previamente agendados.
A medida, entretanto, tornou-se
um freio para o mercado da soja ao estabelecer horários para os embarques.
Segundo Dávalos, para driblar a maior demora no escoamento, provocada pela
necessidade de agendamento, os produtores sul-mato-grossenses deixaram de levar
o grão exclusivamente para Santos e Paranaguá, passando a embarcá-lo também no
Porto de Rio Grande.
Agendar os embarques também é
prática no porto gaúcho, informou Marcos Siqueira, funcionário do setor de
fiscalização do local. No entanto, segundo Siqueira, o agendamento, nesse
porto, acompanha a dinâmica da exportação. “Na maioria dos portos brasileiros,
o agendamento é novidade. Muitos estão se adaptando e ainda há muitos
problemas. Aqui, já tem algum tempo, e não entra mesmo caminhão que não está agendado”,
afirma.
A medida, implantada no final do
ano passado, como saída para as filas de caminhões nos portos, tem sido marcada
por problemas. Na segunda-feira (24), o ministro da Secretaria de Portos,
Antônio Henrique Silveira, informou que, apenas neste mês, foram aplicadas
quatro multas com valor superior a R$ 300 mil contra administradoras de
terminais do porto de Santos que receberam caminhões transportando grãos sem
horário agendado.
Entrave Tributário
Além das questões logísticas, os
entraves para a exportação da soja são agravados pela política tributária, de
acordo com Dávalos. Ele afirma que a obrigatoriedade de contrapartida leva os
produtores a limitar o envio do grão ao exterior conforme determinação
estadual, a quantidade de grãos exportados (não tributados por força da Lei
Kandir) deve ser equivalente à destinada ao mercado doméstico. A medida, usada
pelo governo como forma de redução de perda de receita, faz com que os
produtores não destinem soja a outros países à altura da demanda do mercado
internacional.
Fonte: blogdocaminhoneiro.com/

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