Diferentemente do publicado na avaliação feita por
Transporte Mundial, o modelo semipesado da Iveco fez a média de 4,21 km/l
O Tector Stradale é a aposta da
Iveco para o segmento de caminhões semipesados 6x2. E para atrair a atenção do
transportador, o modelo conta com alguns diferenciais, a começar pelo desenho
desenvolvido pelo Centro Stile Iveco, em Turim, na Itália. É um caminhão que
chama a atenção pela modernidade. Ele tem grande semelhança com o Iveco
Stralis.
A grade do radiador, com o
logotipo Iveco em posição central, tem quatro grandes sulcos na forma de um “V”
que avança sobre o para-choque dianteiro, pintado na cor da carroceria. Os
defletores laterais, os amplos espelhos retrovisores e o para-sol ajudam a compor um desenho frontal
que reúne elementos que denotam força. Outro detalhe que poderá atrair o
transportador é o espaço para a exposição da logomarca da empresa. O conjunto
ótico compõe o visual da identidade robusta.
Outro atributo do defletor
lateral é que permite manter o caminhão limpo por mais tempo, além de
contribuir para uma boa aerodinâmica.
O Tector é equipado com motor FPT
NEF 6 de 5,9 litros, 6 cilindros em linha, com potência de 280 cv a 2 500 rpm e torque de 97 mkgf de
1 250 a 1 950 rpm. Esse propulsor faz parte da geração Ecoline de motores Iveco
mais econômicos e limpos para atender a norma de redução de poluentes Proconve
P7, por meio da tecnologia SCR (em que há a necessidade do agente químico Arla
32).
O motor trabalha em conjunto com
a transmissão ZF, de 9 velocidades, manual de simples relação 3,73:1. Essa
transmissão tem engate tipo “H” sobreposto, mais suave e que, segundo a Iveco,
oferece até 5% de economia se comparado ao modelo anterior.
A engenharia da marca não
descarta a possibilidade de desenvolver uma versão com transmissão automatizada
para esse modelo – que é o mais completo da família Tector e por isso é
considerado uma versão Premium pela montadora. Com uma transmissão automatizada
o veículo ficaria mais competitivo em relação a alguns de seus concorrentes que
já têm representantes com transmissões inteligentes como o Scania P 310 que
possui a versão com o Opticruise (caixa exclusiva da marca), o Mercedes-Benz
Atego 2430, equipado com o Mercedes-Benz Powershift, e o Volvo VM, que, segundo
a marca, chega com I-Shift a partir do segundo semestre deste ano.
O Iveco Tector Stradale 240E28
6x2 possui PBT (Peso Bruto Total) técnico de 24 600 kg e tem capacidade de
carga para 17 349 kg. Sua robustez é ainda reforçada pelo eixo dianteiro com a
maior capacidade técnica do segmento: 6 600 kg. Sobre esse componente, vale
ressaltar que é banhado a óleo, gerando menor custo de manutenção.
O trucado da Iveco ainda traz, de
série, equipamentos que justificam ser classificado como a versão top da marca.
São banco do motorista com suspensão a ar, viseira no para-sol, retrovisores,
vidros e travas elétricos, ar-condicionado, climatizador, cabine-leito teto
alto, farol de neblina, CD player, tanque duplo de combustível de 400 + 300
litros e freios ABS (que é lei) seguidos de EBL (distribuição eletrônica da
força de frenagem). Também de série, ele vem com a distância de entre-eixo de 5
670 mm. Contudo, a Iveco dispõe de outras opções de entre-eixos e de cabine
teto baixo e simples. Também há uma versão com transmissão Eaton de 6
velocidades.
É agradável estar a bordo do
caminhão, que possui amplo espaço a bordo. O habitáculo tem 3 490 mm de altura
externa, o que permitiu bom aproveitamento interno, como os porta-objetos e
maleiros na parte superior, possibilitando ao motorista fazer viagens de médias
distâncias rodoviárias.
O painel é reto, porém, moderno e
agradável ao toque. Os bancos são confortáveis e oferecem boa posição ao
motorista de qualquer estatura graças aos níveis de ajuste de regulagens de
altura e profundidade. A coluna de direção também dispõe de níveis de altura e
profundidade.
Com esses predicados, o Iveco
Tector Stradale 240E28 6x2 conquistou a classe autônoma, já que em mais de 60%
dos casos, o motorista do semipesado 6x2 é o próprio dono do caminhão, que
espera por mais conforto para enfrentar as muitas horas do transporte
rodoviário de médias e longas distâncias, típicas desse tipo de veículo.
No Brasil o Tector Stradale
contribui com 20% das vendas de caminhões 6x2 da Iveco e, segundo David Marco,
gerente de projeto da engenharia da fabricante, o modelo, nessa configuração
agradou tanto autônomos como frotistas, tanto é que as vendas estão bem
divididas entre esses dois perfis de clientes, praticamente 50% cada para uso
comumente com baú, carga seca e graneleiro e graças a essa versatilidade ele é
querido entre, principalmente, os autônomos.
Transporte Mundial foi para a
estrada a bordo do Tector Stradale 240E28 6x2 guiado por Fábio Flores Martins,
top driver da Iveco. Como realizamos o teste no início da semana e saímos bem
cedo da concessionária, acreditamos que o trecho estaria livre, principalmente
o de descida de Serra – comumente transitado por caminhões com destino ao Porto
de Santos. Ledo engano, o tráfego na descida pela rodovia Anchieta estava
pesado e, em alguns momentos, chegou a parar. Mas também foi graças a ele que
foi possível avaliar o denodo do freio-motor do caminhão, o NEF6 SD de 165 cv
de poder de frenagem. O componente trabalha com dois estágios, o primeiro
estágio trabalha conjugado ao freio de serviço, ou seja, o sistema entende que,
quando o motorista coloca o pé no pedal de freio ele deve ser acionado. Já o
segundo estágio é conjugado com o acelerador, em que o sistema entende que se o
motorista pisar no acelerador ele deve ser desconectado, sendo reconectado
quando o condutor para de acelerar. Trata-se de um sistema de simples
funcionamento, porém, eficaz, pois age rapidamente às solicitações do
motorista. Quando conseguimos alcançar uma boa velocidade, ainda com o tráfego
intenso, foi possível descer a uma velocidade média de 40 km/h em 6ª marcha a 1
500 rpm, sempre utilizando o segundo estágio do freio-motor. Outro ponto
positivo do componente é que, se acionado, não promove muito ruído interno. Na
aferição feita com o decibelímetro nesse trecho o resultado foi 68 dBA (veja
quadro).
Na viagem de cruzeiro ao nível do
mar a 80 km/h, em 8ª marcha, a 1 500 rpm, a combinação da suspensão dianteira –
parabólica com barra estabilizadora – e da traseira – com
sistema balancim de molas assimétricas de simples flexibilidade – é eficaz e
aporta segurança ao condutor que sente total controle mesmo ele carregado com
18,4 t de PBT.
Depois de seguir até Peruíbe, já
de volta ao Planalto Paulista, pela rodovia dos Imigrantes, no primeiro trecho,
logo no início da Serra próximo a balança da Ecovias, o caminhão subiu a 45
km/h a 1 600 rpm, ainda na faixa verde, pois sua faixa de torque, entre 1 200 e
1 900 rpm, é uma das mais amplas da categoria.
O modelo rodou 240 km, consumiu
57 litros fazendo a média de 4,21 km/l. E na aferição da balança da Ecovias seu
PBT era de 18 400 kg.

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