Governo do Estado dará detalhes, na semana que vem, sobre os incentivos para troca
JÁDER REZENDE
Programa inédito no país, a
ser lançado nos próximos dias em Belo Horizonte, pretende riscar do mapa
rodoviário de Minas Gerais milhares de sucatas ainda em circulação, segundo
informou ontem o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos
Automotores (Anfavea), Luiz Moan.
A meta é substituir por
veículos novos uma frota de cerca de 70 mil caminhões com mais de 30 anos.
Dados da Polícia Rodoviária Federal revelam que, a cada dia, cerca de 30
acidentes envolvendo caminhões e carretas são registrados em rodovias mineiras.
Somente no primeiro semestre deste ano foram computadas 5.272 dessas
ocorrências, com 87 mortes.
Além da indústria
automobilística, siderúrgicas mineiras também estarão envolvidas no novo
programa de substituição de frota. Caberá a elas promover a reciclagem das
sucatas. Segundo Moan, detalhes de todo o processo serão divulgados no início
da próxima semana pelo governo de Minas Gerais, que definirá como será feita a
retirada dos veículos em circulação e as vantagens a serem oferecidas aos
caminhoneiros que participarão do processo, bem como o tratamento dado às
sucatas.
O anúncio será feito pelo
governador Antonio Anastasia, na Assembleia Legislativa, antes de o texto ser
apreciado pelos parlamentares. “Isso é poluição, insegurança no trânsito, e
será um programa inteligente e estimulante”, afirma o presidente da Anfavea,
lembrando que programas de menor impacto foram testados no porto de Santos, em
São Paulo, e no Rio de Janeiro, mas são pontuais e ainda não trouxeram impacto
nas vendas.
Sem correria. Para Moan, a
idade mínima para que os caminhões possam se enquadrar no programa evita o
surgimento de uma bolha de consumo no setor, o que poderia prejudicar as
indústrias. No entanto, os 70 mil caminhões passíveis de serem substituídos correspondem
a quase metade da meta de 150 mil caminhões previstos para todo o mercado
nacional de 2013. “Essa renovação será ao longo do tempo e não haverá uma bolha
de consumo”, disse.
Ele afirmou ainda que, se
preciso, a Anfavea trabalhará junto a todos os Estados brasileiros para fazer
programas regionais de renovação de frota de pesados, mas que a meta da
entidade é “fazer um programa federal”. Até agora, um programa federal de
renovação de frota foi discutido entre a Confederação Nacional do Transporte (CNT)
e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, mas não
avançou.
“O grande entrave é por culpa
nossa, pois cada entidade apresentou um programa ao governo. Conheço até dez
propostas diferentes”, afirmou Moan, que comemorou o anúncio da prorrogação,
para 2014 do Programa de Sustentação do Investimento para bens de capital,
entre eles caminhões e ônibus – para ele uma “medida que trará crescimento nas
vendas.”

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